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sábado, 20 de agosto de 2011

MACHADO DE ASSIS

(...) Assim são as páginas da vida,

como dizia meu filho quando fazia versos,

e acrescentava que as páginas vão

passando umas sobre as outras,

esquecidas apenas lidas.

"Suje-se Gordo!"

Joaquim Maria Machado de Assis, cronista, contista, dramaturgo, jornalista, poeta, novelista, romancista, crítico e ensaísta, nasceu na cidade do Rio de Janeiro em 21 de junho de 1839. Filho de um operário mestiço de negro e português, Francisco José de Assis, e de D. Maria Leopoldina Machado de Assis, aquele que viria a tornar-se o maior escritor do país e um mestre da língua, perde a mãe muito cedo e é criado pela madrasta, Maria Inês, também mulata, que se dedica ao menino e o matricula na escola pública, única que freqüentará o autodidata Machado de Assis.

De saúde frágil, epilético, gago, sabe-se pouco de sua infância e início da juventude. Criado no morro do Livramento, consta que ajudava a missa na igreja da Lampadosa. Com a morte do pai, em 1851, Maria Inês, à época morando em São Cristóvão, emprega-se como doceira num colégio do bairro, e Machadinho, como era chamado, torna-se vendedor de doces. No colégio tem contato com professores e alunos e é até provável que assistisse às aulas nas ocasiões em que não estava trabalhando.

Mesmo sem ter acesso a cursos regulares, empenhou-se em aprender. Consta que, em São Cristóvão, conheceu uma senhora francesa, proprietária de uma padaria, cujo forneiro lhe deu as primeiras lições de Francês. Contava, também, com a proteção da madrinha D. Maria José de Mendonça Barroso, viúva do Brigadeiro e Senador do Império Bento Barroso Pereira, proprietária da Quinta do Livramento, onde foram agregados seus pais.

Aos 16 anos, publica em 12-01-1855 seu primeiro trabalho literário, o poema "Ela", na revista Marmota Fluminense, de Francisco de Paula Brito. A Livraria Paula Brito acolhia novos talentos da época, tendo publicado o citado poema e feito de Machado de Assis seu colaborador efetivo.

Com 17 anos, consegue emprego como aprendiz de tipógrafo na Imprensa Nacional, e começa a escrever durante o tempo livre. Conhece o então diretor do órgão, Manuel Antônio de Almeida, autor de Memórias de um sargento de milícias, que se torna seu protetor.

Em 1858 volta à Livraria Paula Brito, como revisor e colaborador da Marmota, e ali integra-se à sociedade lítero-humorística Petalógica, fundada por Paula Brito. Lá constrói o seu círculo de amigos, do qual faziam parte Joaquim Manoel de Macedo, Manoel Antônio de Almeida, José de Alencar e Gonçalves Dias.

Começa a publicar obras românticas e, em 1859, era revisor e colaborava com o jornal Correio Mercantil. Em 1860, a convite de Quintino Bocaiúva, passa a fazer parte da redação do jornal Diário do Rio de Janeiro. Além desse, escrevia também para a revista O Espelho (como crítico teatral, inicialmente), A Semana Ilustrada(onde, além do nome, usava o pseudônimo de Dr. Semana) e Jornal das Famílias.

Seu primeiro livro foi impresso em 1861, com o título Queda que as mulheres têm para os tolos, onde aparece como tradutor. No ano de 1862 era censor teatral, cargo que não rendia qualquer remuneração, mas o possibilitava a ter acesso livre aos teatros. Nessa época, passa a colaborar em O Futuro, órgão sob a direção do irmão de sua futura esposa, Faustino Xavier de Novais.

Publica seu primeiro livro de poesias em 1864, sob o título de Crisálidas.

Em 1867, é nomeado ajudante do diretor de publicação do Diário Oficial.

Agosto de 1869 marca a data da morte de seu amigo Faustino Xavier de Novais, e, menos de três meses depois, em 12 de novembro de 1869, casa-se com Carolina Augusta Xavier de Novais.

Nessa época, o escritor era um típico homem de letras brasileiro bem sucedido, confortavelmente amparado por um cargo público e por um casamento feliz que durou 35 anos. D. Carolina, mulher culta, apresenta Machado aos clássicos portugueses e a vários autores da língua inglesa.

Sua união foi feliz, mas sem filhos. A morte de sua esposa, em 1904, é uma sentida perda, tendo o marido dedicado à falecida o soneto Carolina, que a celebrizou.

Seu primeiro romance, Ressurreição, foi publicado em 1872. Com a nomeação para o cargo de primeiro oficial da Secretaria de Estado do Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas, estabiliza-se na carreira burocrática que seria o seu principal meio de subsistência durante toda sua vida.

No O Globo de então (1874), jornal de Quintino Bocaiúva, começa a publicar em folhetins o romance A mão e a luva. Escreveu crônicas, contos, poesias e romances para as revistas O Cruzeiro, A Estação e Revista Brasileira.

Sua primeira peça teatral é encenada no Imperial Teatro Dom Pedro II em junho de 1880, escrita especialmente para a comemoração do tricentenário de Camões, em festividades programadas pelo Real Gabinete Português de Leitura.

Na Gazeta de Notícias, no período de 1881 a 1897, publica aquelas que foram consideradas suas melhores crônicas.

Em 1881, com a posse como ministro interino da Agricultura, Comércio Obras Públicas do poeta Pedro Luís Pereira de Sousa, Machado assume o cargo de oficial de gabinete.

Publica, nesse ano, um livro extremamente original , pouco convencional para o estilo da época: Memórias Póstumas de Brás Cubas -- que foi considerado, juntamente com O Mulato, de Aluísio de Azevedo, o marco do realismo na literatura brasileira.

Extraordinário contista, publica Papéis Avulsos em 1882, Histórias sem data (1884), Vária Histórias (1896), Páginas Recolhidas (1889), e Relíquias da casa velha (1906).

Torna-se diretor da Diretoria do Comércio no Ministério em que servia, no ano de 1889.

Grande amigo do escritor paraense José Veríssimo, que dirigia a Revista Brasileira, em sua redação promoviam reuniões os intelectuais que se identificaram com a idéia de Lúcio de Mendonça de criar uma Academia Brasileira de Letras. Machado desde o princípio apoiou a idéia e compareceu às reuniões preparatórias e, no dia 28 de janeiro de 1897, quando se instalou a Academia, foi eleito presidente da instituição, cargo que ocupou até sua morte, ocorrida no Rio de Janeiro em 29 de setembro de 1908. Sua oração fúnebre foi proferida pelo acadêmico Rui Barbosa.

É o fundador da cadeira nº. 23, e escolheu o nome de José de Alencar, seu grande amigo, para ser seu patrono.

Por sua importância, a Academia Brasileira de Letras passou a ser chamada de Casa de Machado de Assis.

Dizem os críticos que Machado era "urbano, aristocrata, cosmopolita, reservado e cínico, ignorou questões sociais como a independência do Brasil e a abolição da escravatura. Passou ao longe do nacionalismo, tendo ambientado suas histórias sempre no Rio, como se não houvesse outro lugar. ... A galeria de tipos e personagens que criou revela o autor como um mestre da observação psicológica. ... Sua obra divide-se em duas fases, uma romântica e outra parnasiano-realista, quando desenvolveu inconfundível estilo desiludido, sarcástico e amargo. O domínio da linguagem é sutil e o estilo é preciso, reticente. O humor pessimista e a complexidade do pensamento, além da desconfiança na razão (no seu sentido cartesiano e iluminista), fazem com que se afaste de seus contemporâneos."

BIBLIOGRAFIA:

Comédia

Desencantos, 1861.

Tu, só tu, puro amor, 1881.

Poesia

Crisálidas, 1864.

Falenas, 1870.

Americanas, 1875.

Poesias completas, 1901.

Romance

Ressurreição, 1872.

A mão e a luva, 1874.

Helena, 1876.

Iaiá Garcia, 1878.

Memórias Póstumas de Brás Cubas, 1881.

Quincas Borba, 1891.

Dom Casmurro, 1899.

Esaú Jacó, 1904.

Memorial de Aires, 1908.

Conto:

Contos Fluminenses,1870.

Histórias da meia-noite, 1873.

Papéis avulsos, 1882.

Histórias sem data, 1884.

Várias histórias, 1896.

Páginas recolhidas, 1899.

Relíquias de casa velha, 1906.

Teatro

Queda que as mulheres têm para os tolos, 1861

Desencantos, 1861

Hoje avental, amanhã luva, 1861.

O caminho da porta, 1862.

O protocolo, 1862.

Quase ministro, 1863.

Os deuses de casaca, 1865.

Tu, só tu, puro amor, 1881.

Algumas obras póstumas

Crítica, 1910.

Teatro coligido, 1910.

Outras relíquias, 1921.

Correspondência, 1932.

A semana, 1914/1937.

Páginas escolhidas, 1921.

Novas relíquias, 1932.

Crônicas, 1937.

Contos Fluminenses - 2º. volume, 1937.

Crítica literária, 1937.

Crítica teatral, 1937.

Histórias românticas, 1937.

Páginas esquecidas, 1939.

Casa velha, 1944.

Diálogos e reflexões de um relojoeiro, 1956.

Crônicas de Lélio, 1958.

Conto de escola, 2002.

Antologias

Obras completas (31 volumes), 1936.

Contos e crônicas, 1958.

Contos esparsos, 1966.

Contos: Uma Antologia (02 volumes), 1998

Em 1975, a Comissão Machado de Assis, instituída pelo Ministério da Educação e Cultura, organizou e publicou as Edições críticas de obras de Machado de Assis, em 15 volumes.

Seus trabalhos são constantemente republicados, em diversos idiomas, tendo ocorrido a adaptação de alguns textos para o cinema e a televisão.

FONTE: www.releituras.com/machadodeassis

sábado, 6 de agosto de 2011

Atividades dos contos de Machado de Assis

1. Considere as seguintes afirmações em relação ao conto "Almas agradecidas":

I. A "verdadeira amizade" de Magalhães por Oliveira serve de pretexto para que o primeiro roube a formosa e rica Cecília do amigo, garantindo assim sua riqueza material.

II. No final do conto, quando o narrador diz que Oliveira não mais frequentava a casa do amigo, mostra que houve ruptura entre ambos, que disputavam o amor da rica Cecília: "Oliveira não compareceu à festa com grande admiração de Vasconcelos e de D. Mariana, que não compreendiam essa indiferença da parte de um amigo."

III. O reencontro dos amigos de colégio, embora pareça, pode não ser casual.

Estão corretas:

a) I e III.

b) I e II.

c) II e III.

d) I.

e) II.

2. Em "Cantiga de esponsais", o narrador comenta:

"Parece que há duas sortes de vocação, as que têm língua e as que a não têm. As primeiras realizam-se; as últimas representam uma luta constante e estéril entre o impulso interior e a ausência de um modo de comunicação com os homens."

A frase do conto que melhor sintetiza esse drama vivido pelo protagonista é:

a) "se mestre Romão pudesse seria um grande compositor"

b) "Mestre Romão rege a festa!"

c) “tinha a vocação íntima da música"

d) “Sobre uma cadeira, ao pé, alguns papéis de música; nenhuma dele.”

e) "a vista do casal não lhe suprira a inspiração, e as notas seguintes não soavam."

3. Sobre "Conto de escola", assinale a alternativa incorreta:

a) O conto contrapõe as figuras de Policarpo e Raimundo, que podem ser entendidas, respectivamente, como representantes da ordem e da desordem.

b) O conto mostra a troca de favores entre o menino Raimundo e o narrador Pilar: o primeiro dá uma pratinha ao amigo, e esse, por sua vez, ensina-lhe as lições de sintaxe.

c) O fato de a narrativa se passar durante o período Regência torna possível uma analogia entre o enfraquecimento do poder central, na época, e os acordos que são feitos pelos meninos à revelia do professor Policarpo.

d) À semelhança de O ateneu, de Raul Pompeia, o narrador mostra como a escola, nos tempos do Império, não estava apta a lidar com as diferenças entre os indivíduos, sentindo-se por ela subjugado.

e) O narrador relembra o caso e explica porque a troca de favores, bem como o conhecimento da corrupção e da delação, foram essenciais para sua formação.

4. No conto "Felicidade pelo casamento", o narrador, João Aguiar, diz que era conhecido pela família primeiro como "idiota"; depois, como "poeta", pouco afeito às soluções práticas. Tomando como referência o desfecho da ação, é possível afirmar que:

a) Há ironia no caso porque, ao sair da província e ir para a Corte, o narrador não consegue concluir seus planos, confirmando a pecha familiar de ser errático e vacilante.

b) Há ironia no caso contado pelo narrador, já que ele mostra como o poeta conseguiu sair da província e se casar na Corte com Ângela de Magalhães, amealhando a fortuna da moça e desbancando o antigo pretendente, Azevedinho.

c) Há ironia no caso porque o narrador mostra-se esperto quando desbanca, sem qualquer traço de sadismo, o pretendente de Ângela, Azevedinho.

d) Nenhuma das anteriores.

e) Não há ironia no caso, já que o casal apaixonado que se forma ao final do conto, por Ângela e pelo narrador, confirma as vocações românticas deste último.

5. Leia o trecho abaixo:

"Nunca tinha ido ao teatro, e mais de uma vez, ouvindo dizer ao Meneses que ia ao teatro, pedi-lhe que me levasse consigo. Nessas ocasiões, a sogra fazia uma careta, e as escravas riam à socapa; ele não respondia, vestia-se, saía e só tornava na manhã seguinte. Mais tarde é que eu soube que o teatro era um eufemismo em ação. Meneses trazia amores com uma senhora, separada do marido, e dormia fora de casa uma vez por semana". "Missa do galo", p. 99.

Em relação a esse trecho e ao sentido geral do conto, é possível afirmar que:

a) Não é possível saber exatamente o que se passou entre o jovem Nogueira e Conceição, mas a ideia do "teatro" pode ser estendida também a esses dois.

b) A narrativa mostra uma oposição entre Conceição e o marido, já que ela, ao contrário dele, decide não se envolver com o rapaz de dezessete anos em sua própria casa.

c) Nogueira resolve omitir do leitor os fatos mais importantes em relação à Conceição, já que ele também se valia do pretexto de ir ao "teatro".

d) A encenação do marido pode também ser estendida ao narrador, jovem de dezessete anos destinado à carreira eclesiástica.

e) "O eufemismo em ação" de Meneses mostra que o adultério é um comportamento compartilhado tanto pelo marido quanto por sua esposa.

6. (UFV) Sobre a narrativa machadiana "A cartomante", apenas não se pode afirmar que:

a) O desfecho de "A cartomante" é trágico e seus personagens, Vilela, Camilo e Rita, formam o típico triângulo amoroso de grande parte das obras do período realista.

b) A personagem Rita, ao concluir que "havia muita coisa misteriosa e verdadeira neste mundo", traduz vulgarmente a sentença de Hamlet, o famoso herói shakespeariano: "há mais coisa no céu e na terra do que sonha a nossa vã filosofia".

c) A personagem Rita mostra-se descrente em relação às premonições da cartomante, opondo-se ao comportamento de Camilo, extremamente supersticioso e obcecado por bruxarias.

d) A narrativa "A cartomante" retrata uma situação de adultério e confirma a tendência realista para destruir e ridicularizar o casamento romântico.

e) A ironia machadiana reflete-se, sobretudo, nos momentos finais do texto, pelo contraste entre as profecias otimistas da cartomante e o destino cruel dos amantes Rita e Camilo.

7. (UFRGS) Considere as afirmações abaixo, referentes a certos contos machadianos:

I. "Hamlet observa a Horácio que há mais coisas no céu e na terra do que sonha a nossa filosofia. Era a mesma explicação que dava a bela Rita ao moço Camilo, numa sexta-feira de novembro de 1869, quando este ria dela, por ter ido na véspera consultar uma cartomante; a diferença é que o fazia por outras palavras". Esse trecho está na abertura de "A cartomante", conto que narra uma história de adultério com final trágico.

II. Em "Missa do galo", uma senhora de trinta anos e um jovem de dezessete, atraídos um pelo outro, encontram-se na noite de Natal para vingarem as traições do marido ausente.

III. Rita, d. Conceição e Evarista, assim como as demais personagens femininas dos contos machadianos, são apresentadas como vítimas inertes de uma estrutura social patriarcal e escravocrata.

Quais estão corretas?

a) Apenas II.

b) Apenas I.

c) Apenas III.

d) I, II e III.

e) Apenas I e III.

8. "Foi para estas almas corajosas e honradas que se fez a bem-aventurança". Assim termina o conto "Carolina", de Machado de Assis. Em relação a esse comentário do narrador e ao contexto geral do conto, é possível afirmar que:

a) Carolina continuou pobre porque não teve coragem de se unir a Fernando.

b) Carolina decidiu abandonar tudo e viver com Fernando, daí o comentário do narrador.

c) Carolina prefere manter as conveniências do casamento com o "velho opulento" e descarta Fernando, daí o comentário do narrador.

d) Nenhuma das anteriores.

e) Machado de Assis mostra a coragem da mulher que não se deixa guiar pelo sentimento, daí o comentário.

9. Assinale a alternativa correta sobre "O caso da vara":

a) O conto mostra que, apesar da escravidão, as boas ações ainda são possíveis.

b) O conto mostra como os protegidos de Sinhá Rita, a proprietária, eram bem-tratados por ela.

c) O conto mostra a mobilidade da consciência de Damião entre a ética e o interesse.

d) O conto evidencia as relações de proteção que se constroem em torno de João Carneiro, um grande proprietário.

e) Durante a narrativa, Sinhá Rita muda o tratamento dispensado às escravas.

10. (UFSCar-adaptada) O que sobressai na atividade criadora de Machado de Assis é:

a) A grande capacidade de inspiração, uma vez que a quantidade de romances que escreveu foi facilitada pela improvisação.

b) A minuciosa busca de soluções aperfeiçoadoras, que só conseguiu após inúmeros e continuados exercícios.

c) O equilíbrio entre o improviso, a inspiração e o artístico, que é demonstrado pelas obras de valor desigual.

d) Ter iniciado a carreira escrevendo romances realistas, convertendo-se, mais tarde, ao naturalismo.

e) A sinceridade com que manifesta, por linguagem desprovida de metáforas, em cada romance que escreveu, as várias fases de sua biografia.

11. Leia o texto abaixo, extraído do romance Esaú e Jacó, e responda ao que se pede.

"- Coisas futuras! Murmurou finalmente a cabocla.

- Mas, coisas feias?

- Oh! Não! Não! Coisas bonitas, coisas futuras!"

a) É possível estabelecer um paralelo entre a profecia que a cabocla faz à Natividade em relação aos gêmeos dos quais está grávida e a profecia que a cartomante faz a Camilo e Rita no conto "A cartomante"? Explique.

b) O que o autor mostra em relação às superstições e crendices, em ambos os casos?

12. Leia o trecho abaixo:

[...] Sinhá Rita pegou de uma vara que estava ao pé da marquesa, e ameaçou-a:

- Lucrécia, olha a vara!

A pequena abaixou a cabeça, aparando o golpe, mas o golpe não veio. [...] Damião reparou que tossia, mas para dentro, surdamente, a fim de não interromper a conversação."

"O caso da vara", p. 71.

Quais expressões, presentes neste trecho selecionado de "O caso da vara", revelam de forma sintética a situação dos escravos no Brasil do século XIX? Explique.

13. No conto "Missa do galo", Conceição, ao comentar com o jovem Nogueira os quadros que seu marido colocara na sala, afirma não gostar do de "Cleópatra", preferindo "a imagem de Nossa Senhora, que estava no oratório". Considerando essas informações, responda: qual a relação entre o quadro de Cleópatra e a vida do marido de Conceição? Por que Conceição afirma preferir a imagem da santa?

14. Na introdução que faz ao presente volume, intitulada "Murmúrios no espelho", Flávio Aguiar afirma que "como numa sábia gangorra, Machado oscila entre esse terror dos silêncios espaçados e o mundo das convenções organizadas (e por elas organizado)”.

a) Como cada um desses mundos aparece no "Conto de escola"?

b) É possível associar João Romão, da "Cantiga de esponsais", a essa oscilação de que fala Flávio Aguiar? Explique.

15. (FUVEST-SP) Em 1881 foram publicados dois romances importantes no Brasil, com os quais se inicia um novo movimento literário na prosa brasileira.

a) Quais são esses romances?

b) Com que movimento literário eles romperam?

16. Redija uma resenha que expresse suas opiniões e exponha seus argumentos sobre um dos contos da antologia de Machado de Assis.

Almas agradecidas

Conto de escola

Cantiga de esponsais

Longe dos olhos...

Carolina

O caso da vara

Felicidade pelo casamento

Um apólogo

A cartomante

Missa do galo

domingo, 1 de maio de 2011

AUTO DA COMPADECIDA

Auto da Compadecida é uma peça teatral em forma de auto, em três atos escrita e em 1955 pelo autor brasileiro Ariano Suassuna. Sua primeira encenação foi em 1956, em Recife, Pernambuco. Posteriormente houve nova encenação em 1972, com direção de João Cândido. É um drama do Nordeste do Brasil. Insere elementos da tradição da literatura de cordel,de genero comédia apresenta traços do barroco católico brasileiro, mistura cultura popular e tradição religiosa. Apresenta na escrita traços de linguagem oral por demonstrar na fala do personagem sua classe social, apresenta também regionalismos pelo fato de a história se passar no nordeste e o autor ter nascido lá. Esta peça projetou Suassuna em todo o país e foi considerada, em 1962, por Sábato Magaldi "o texto mais popular do moderno teatro brasileiro"[carece de fontes]. Foi apresentada em 1999 na Rede Globo de televisão como minissérie, O Auto da Compadecida (em que há um acréscimo do artigo "o" antes do nome original). Na adaptação feita para o cinema em 2000, também chamada O Auto da Compadecida, aparecem alguns personagens como o Cabo Setenta, Rosinha e Vicentão. Eles não fazem parte da peça original, e sim de A Inconveniência de Ter Coragem, também de Ariano Suassuna.

Personagens

O Palhaço - O palhaço é o narrador da história. Raramente conversa com os personagens, e interage com o público em seus solilóquios.

João Grilo - Um homem pobre e aproveitador. Vive arranjando confusões. Trabalha para o Padeiro e é o melhor amigo de Chicó.

Chicó - É um homem covarde, e gosta de contar mentiras. Trabalha para o Padeiro e é o melhor amigo de João.

O padeiro - Homem avarento, dono da padaria de Taperoá. Esposo de uma mulher infiel e adúltera.

A mulher do padeiro - Mulher infiel e adúltera. Vive traindo seu marido com outros. Assim como seu cônjuge, é muito avarenta.

Padre João - Padre que chefia a paróquia de Taperoá. Muito racista e avarento, visando somente o lucro material.

Bispo - Assim como o padre, ele é muito avarento, e vive difamando seu colega, o Frade.

Frade - Um homem honesto e de bom coração. Não sabe que vive sendo difamado pelo Bispo.

Sacristão - O sacristão da paróquia é um homem desconfiado e conservador.

Antônio Moraes - Antônio é um major ignorante e autoritário, que usa seu poder para amedrontar os mais pobres.

Severino - Severino é um cangaceiro que encontrou no crime uma forma de sobrevivência, já que seus pais foram mortos pela Polícia.

Cangaceiro - É um dos capangas de Severino. Vive fazendo de tudo para agradar seu chefe, ao qual idolatra.

A Compadecida - É a própria Nossa Senhora. Bondosa e cândida, ela intercede por todos no Julgamento.

Emanuel - É o próprio Jesus Cristo, e também o juiz do povo, julgando sempre com sabedoria e imparcialidade. Nesta versão, ele possui a pele negra, o que causa espanto em alguns.

Encourado - é a encarnação do Diabo. Vive tentando imitar Manuel, por isso exige reverências pelos lugares onde passa. É o injusto promotor do Julgamento.

Satanás - É o fiel servo do Encourado. Vive fazendo de tudo para agradá-lo, porém é desprezado pelo mesmo.

FONTE:http://pt.wikipedia.org/wiki/Auto_da_Compadecida

ONDE FICA O ATENEU?

Onde fica o Ateneu? Ele realmente foi incendiado? Houve um assassinato lá? Quem era o assassinado?...Mistérios, que o detetive Mendes é contratado para investigar. Mas esse trabalho não seria tão fácil assim - esses acontecimentos se passam dentro de um livro chamado ''O Ateneu'', um clássico da literatura Brasileira. É nos livros portanto, que o detetive vai ter de buscar pistas. Essa investigação,além de trazer problemas para muita gente, vai levar Mendes a grandes descobertas sobre o mundo dos livros, sobre si mesmo, sobre a vida.
Onde fica o Ateneu?, obra que pertence à prestigiada coleção "Descobrindo os Clássicos", da Ática. Esta coleção foi concebida para promover um encontro entre o jovem leitor e as grandes obras da literatura brasileira. Ao criar Onde fica o Ateneu?, Jaf optou por uma ação policial perfeitamente adequada ao universo juvenil, na qual o detetive Mendes, contratado pelo misterioso senhor T, envolve-se profundamente com o clássico de Raul Pompéia e se dedica em tempo integral a desvendar os mistérios que há muitos anos intrigam os leitores de O Ateneu. Será que Mendes dará conta de sua missão? O clássico brasileiro que serviu de matéria-prima para Ivan Jaf foi O Ateneu, de Raul Pompéia - uma das maiores paixões literárias de Jaf. O Ateneu foi inicialmente publicado em folhetim nas páginas da Gazeta de Notícias, entre 8 de abril e 18 de maio de 1888. Posteriormente, em 1894, a obra de Pompéia saiu em livro pela Editora Alves & Cia., constando 43 desenhos a crayon, feitos pelo autor, exímio caricaturista. Ivan Jaf já é um autor consagrado, direcionando sua literatura principalmente para os públicos infantil e juvenil. Jaf foi fotógrafo, pintor e roteirista de inúmeras histórias em quadrinhos. Entre vários de seus títulos publicados pela Editora Ática estão O vampiro que descobriu o Brasil e Agüenta firme.

FONTE: http://www.atica.com.br

terça-feira, 8 de março de 2011

O GUARANI, de José de Alencar

REVISÃO PARA TESTE DE REDAÇÃO – 1ª UNIDADE

RESUMO

Nos tempos da colonização, o fidalgo português D. Antônio de Mariz, descontente com o domínio espanhol, retira-se para a Serra dos Órgãos com sua família e vários agregados. Acolhe em sua morada Peri, por este ter salvado a vida de sua filha, Ceci. O índio passa a ser um protetor da jovem, por quem tem verdadeira adoração.

Nesse tempo, Loredano se infiltra no grupo de D. Antônio. Ele na verdade é Frei Ângelo, que renegou sua fé para ir à busca de uma mina de prata, cujo mapa roubou. Antes, pretende destruir o fidalgo, para apossar-se de Ceci. Seu maior desafeto é o cavaleiro Álvaro, que também ama Ceci. Prestigiado pelo fidalgo, este lhe promete a filha em casamento. Mas Ceci não o ama, e se empenha em aproximá-lo de Isabel, filha ilegítima de D. Antônio e apaixonada por Álvaro. Há no lugar uma grande tensão pela iminência de uma guerra com os Aimorés. D. Diogo, filho de D. Antônio, desastradamente assassina uma jovem Aimoré, filha do cacique. A família dela tenta se vingar em Ceci, mas Peri a salva, ocasionando a morte do pai e do irmão da jovem índia. A mãe consegue escapar, e denuncia o corrido a toda a tribo.

Loredano agrega vários comparsas e planeja um ataque a D. Antônio. Peri desbarata seus planos, e quando o bando do ex-frade se reorganiza para investir contra o grupo do fidalgo, os dois lados são surpreendidos pelo ataque dos Aimorés.

Durante a batalha, a animosidade entre os dois grupos arrefece, pela necessidade de todos se defenderem contra os índios. E se desfaz quando se descobre a verdadeira identidade de Loredano, que é queimado vivo numa fogueira.

Na guerra se destaca a bravura de Peri, e também a valentia de Álvaro. Mas este é ferido de morte, que causa tanto sofrimento a Isabel, a ponto de ela se suicidar. O ataque final dos Aimorés é fulminante, e dele só sobrevivem Peri e Ceci, que na simbologia do romance serão as sementes da nacionalidade brasileira.

COMENTÁRIOS

O Guarani é um dos principais livros de José de Alencar e também uma das obras mais conhecidas da nossa literatura. Alencar foi advogado, político, jornalista e dramaturgo, mas ficou mesmo eternizado como o grande escritor romântico da nossa literatura. José de Alencar nasceu em 1º de maio de 1829, no Ceará. E morreu em 12 de dezembro de 1877, no Rio de Janeiro.

Essa obra não segue uma narrativa linear; isto é, não segue uma sequência cronológica, apresenta várias idas e vindas no tempo. Na sucessão dos fatos, e não na ordem em que são narrados notamos que ao salvar a vida de Ceci, Peri recebe a gratidão de D. Antônio, que o convida para conviver com sua família; Loredano deixa de ser frade e integra o grupo de aventureiros de D. Antônio; Peri vai caçar uma onça e vê D. Diogo matando, sem querer, uma jovem índia; a família da índia fica sabendo de sua morte e, na tentativa de vingança, o pai e o irmão são mortos por Peri. Só a mãe consegue escapar; Na perseguição à índia, Peri vê Loredano e seus comparsas tramando contra D. Antônio; a mãe da jovem índia conta para a tribo o que aconteceu à sua família; no momento em que vai se dar o confronto entre os comparsas de Loredano e os aventureiros leais a D. Antônio, os Aimorés atacam a casa do fidalgo.

A história de O Guarani se passa entre 1603 e 1604, nas proximidades da recém-fundada cidade do Rio de Janeiro. Nessa época, o Brasil era dividido em capitanias cada uma tinha um governante, que distribuia os lotes chamados sesmarias. D. Antônio de Mariz recebeu uma sesmaria por importantes serviços prestados a Portugal.

No período do Brasil colônia, as mulheres ocuparam um lugar importantíssimo. Moças como Ceci eram alvo da cobiça de homens mal-intencionados como Loredano, pois mulheres brancas eram raras. O papel da mulher era cuidar dos afazeres domésticos e da criação dos filhos.

Um dos aspectos importantes na época da colonização era a religiosidade das pessoas. Por danificar um crucifixo e destruir um oratório, personagens como Loredano, Rui e Bento representavam o que havia de mais vil. A fé representava para a sociedade um dos alicerces, e o desrespeito por símbolos religiosos era um pecado imperdoável.

O Guarani é considerado um romance histórico pela presença de personagens da História do Brasil. Pode-se classificá-lo também como um romance indianista, voltado para a idealização heróica do nosso índio. Essa obra foi publicada 35 anos depois da Independência do Brasil. Nessa época com a criação de um herói eminentemente brasileiro se buscava uma afirmação da nossa nacionalidade.

As imagens a seguir foram extraídas da obra O Guarani em quadrinhos. E marcam momentos de grande tensão.

Ceci pede a Peri para ver uma onça viva. Peri vai à busca do animal para agradar Ceci, mas Aires Gomes mata a onça. D. Antônio resolve mandar Peri embora, pois acha que Peri é uma ameaça a segurança da sua família.

Peri se rende aos Aimorés para salvar a família de D. Antonio do ataque. Peri envenena seu corpo com curare para que os canibais, ao comerem seu corpo, morressem também. A índia que vigiava Peri se apaixona por ele e resolve soltá-lo, mas ele não aceita. Quando finalmente chega o momento de matar Peri, Álvaro o resgata. Peri vai a procura de uma erva para cortar o veneno que havia ingerido.

Álvaro organiza outra expedição arriscada durante a noite atrás de alimento na esperança de resistirem mais um pouco até que D. Diogo tivesse tempo de chegar com socorro, mas é ferido pelos Aimorés. Peri carrega o corpo de Álvaro até a casa de D. Antônio, todos pensam que ele já está morto. Isabel pede a Peri que leve o corpo do seu amado para o quarto dela para velá-lo.

Os Aimorés conseguem escalar os rochedos e chegam a casa de D. Antônio. Peri prepara um tronco de palmeira e manda D. Antônio fugir, mas o fidalgo diz que não pode abandonar sua casa, sua família e seus amigos. Ele pede a Peri para salvar Ceci e deixá-la no Rio de Janeiro com a tia. Peri sai pelos fundos da casa com Ceci nos braços.

Peri rema durante toda a noite sem descanso no Rio Paraíba, enquanto Ceci continua adormecida. Ao acordar ela fica sabendo que todos estão mortos. Peri diz a Ceci que irá levá-la para o Rio de Janeiro. Ceci pergunta se ele irá ficar com ela, mas ele diz que não se adaptaria na “taba dos brancos”. Então, Ceci resolve viver com Peri na floresta.

Profª Sandra Helena

8 DE MARÇO É DA MULHER

HISTÓRIA O Dia Internacional da Mulher, 8 de março, está intimamente ligado aos movimentos feministas que buscavam mais dignidade para as mulheres e sociedades mais justas e igualitárias. É a partir da Revolução Industrial, em 1789, que estas reivindicações tomam maior vulto com a exigência de melhores condições de trabalho, acesso à cultura e igualdade entre os sexos. As operárias desta época eram submetidas à um sistema desumano de trabalho, com jornadas de 12 horas diárias, espancamentos e ameaças sexuais. Dentro deste contexto, 129 tecelãs da fábrica de tecidos Cotton, de Nova Iorque, decidiram paralisar seus trabalhos, reivindicando o direito à jornada de 10 horas. Era 8 de março de 1857, data da primeira greve norte-americana conduzida somente por mulheres. A polícia reprimiu violentamente a manifestação fazendo com que as operárias refugiassem-se dentro da fábrica. Os donos da empresa, junto com os policiais, trancaram-nas no local e atearam fogo, matando carbonizadas todas as tecelãs. Em 1910, durante a II Conferência Internacional de Mulheres, realizada na Dinamarca, foi proposto que o dia 8 de março fosse declarado Dia Internacional da Mulher em homenagem às operárias de Nova Iorque. A partir de então esta data começou a ser comemorada no mundo inteiro como homenagem as mulheres.

MULHER

Você que busca no dia a dia sua

independência, sua liberdade, sua

identidade própria;

Você que luta profissional e

emocionalmente, para ser

valorizada e compreendida;

Você que a cada momento tenta ser a

companheira, a amiga, a "rainha do lar";

Você que batalha incansavelmente por seus

próprios direitos e também por um mundo

mais justo e por uma sociedade sem

violências;

Você que resiste aos sarcasmos daqueles

que a chamam de, pejorativamente, de

feminista liberal e que já ocupa um

espaço na fábrica, na escola, na

empresa e na política;

Você, eu, nós que temos a capacidade de

gerar outro ser, temos também o dever de

gerar alternativas para que a nossa Ação

criadora, realmente ajude outras

mulheres a conquistarem

a liberdade de Ser...

Ilsa da Luz Barbosa